Fármaco para a artrite poderá tratar estenose aórtica

Um fármaco que se encontra em fase de ensaio para o tratamento da artrite reumatóide poderá tornar-se no primeiro fármaco a prevenir a estenose das válvulas aórticas, uma doença comum e potencialmente fatal entre as pessoas com idade mais avançada. 

O fármaco que se encontra a ser desenvolvido pela Universidade Vanderbilt, EUA, é um anticorpo monoclonal conhecido como SYN0012 e possui o potencial de manter as válvulas cardíacas flexíveis. 

Atualmente, o único tratamento para a estenose aórtica é a sua substituição por intervenção cirúrgica. “O organismo dos pacientes muito idosos não consegue suportar isso”, explicou Cyndi Clark, primeira autora do estudo. 

Para o estudo, os investigadores concentraram-se na proteína caderina-11 (CDH-11), a qual é produzida pelas células conhecidas como fibroblastos e que se encontram nas válvulas cardíacas. Recentemente, foi demonstrado que esta proteína está associada à estenose aórtica.

À medida que o coração envelhece, os fibroblastos tornam-se excessivamente ativos e produzem demasiada quantidade da proteína CDH-11, o que provoca inflamação nas válvulas aórticas. 

Anteriormente, tinha sido descoberto de forma acidental que a ativação e desativação da proteína pode controlar a atividade dos fibroblastos e da calcificação celular.

Os investigadores propuseram-se testar os efeitos do fármaco SYN0012, o qual se une à proteína CDH-11 na superfície celular das válvulas aórticas.

Foi apurado que o fármaco SYN0012 evita que os fibroblastos se tornem demasiado ativos, o que por sua vez previne a produção excessiva da proteína CDH-11 e a inflamação nas válvulas aórticas.

Os investigadores concluem, assim, que o fármaco SYN0012 poderá travar a estenose das válvulas aórticas.

“Consideramos que existe o potencial de usar este fármaco ao primeiro sinal de doença nas válvulas para prevenir o seu progresso. Não se poderá provavelmente reverter os danos, mas achamos que o fármaco pode preveni-los”, comentou W. David Merryman, um dos investigadores neste estudo.

19-06-2017