Associação de farmácias lança projeto inovador para recolha de seringas dos cidadãos

A Associação de Farmácias de Portugal (AFP) lançou ontem, no Porto, um projeto piloto inovador que se destina à recolha das seringas dos diabéticos, bem como de todos os cidadãos que necessitam de medicamentos injetáveis em ambulatório.

A presidente da AFP, Manuela Pacheco, explicou que o projeto -- "Seringas só no Agulhão" - está restrito até ao final do ano a 10 farmácias do Norte, mas o que se pretende é que seja alargado a todas as farmácias do país.

"Neste momento o programa está restrito a estas 10 farmácias por facilidade de recolha dos resíduos pela empresa parceira no projeto", sublinhou Manuela Pacheco.

O projeto inicia-se em farmácias dos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Gondomar, Braga e Vila Verde.

"Até ao final do ano teremos tempo de contabilizar, fazer um cálculo do que foi efetivamente recolhido. Penso que teremos um indicador robusto para apresentar às entidades competentes e fazer ver que é uma mais-valia e que deveria haver apoio para constituir um programa nacional", acrescentou a responsável.

Segundo explicou, até ao momento, não existem no mercado soluções específicas para este tipo de resíduos. A maior parte dos diabéticos, por exemplo, acabam por deitar as suas seringas usadas no lixo doméstico, o que, em seu entender, poderá resultar num problema de saúde pública.

A apresentação do projeto contou também com a presença da Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, que considerou tratar-se de um projeto muito importante, em termos ambientais de saúde pública.

"Quando fizemos a troca de seringas tínhamos objetivos relacionados com saúde publica, mas também com a morbimortalidade associada a infeção do VIH. De fora ficaram este tipo de situações em que as pessoas que vivem com doença e os [seus] cuidadores", disse, acrescentando que os materiais injetáveis para diabetes, por exemplo, também "necessitam de uma reciclagem própria, que obedece a normas internacionais".

Referiu ainda que "há muitas situações ligadas aos lixos que são perigosas não só ambientalmente, mas também para os técnicos, porque encontram estes lixos misturados com todo o lixo orgânico e que podem dar origem a problemas importantes na área da saúde pública".

"Não temos dúvidas de que os ministérios da Saúde e do Ambiente darão apoio a este projeto porque tem como primeiro objetivo os nossos doentes e os seus cuidadores, mas também a nossa saúde ambiental e o ambiente com saúde", frisou.

29-06-2019