Consumo de medicamentos para dormir cresce

Os portugueses consomem cada vez medicamentos para dormir. Os números das vendas não param de aumentar. No ano passado, comercializaram-se mais 97 mil embalagens de calmantes e tranquilizantes em relação a 2016. Os números retratam uma realidade preocupante: os portugueses dormem mal e estão cada vez mais dependentes de fármacos para conciliar o sono.

O ano de 2017 terminou com 1.11 milhões de embalagens compradas, o que corresponde a mais de 13 milhões gastos nesses fármacos e a um aumento face aos dois anos anteriores, segundo dados fornecidos ao JN pela IQVIA.

A neurologista Teresa Paiva, responsável pelo Centro de Medicina do Sono, refere que todos os indicadores revelam que os portugueses "estão a dormir pouco e tarde".

"As estatísticas apontam para um consumo muito grande e excessivo de medicamentos para dormir, tanto receitados como comprados sem receita médica, e que há um aumento do número de pessoas que estão dependentes de fármacos para dormir", adianta.

E por que se dorme mal? "As razões fundamentais prendem-se com pressões sociais, convicções culturais, mudanças de hábitos, efeitos tecnológicos e ambientais", responde. Dormir pouco, não ter horas para nada e horários tardios, são, na sua perspetiva, os piores erros para não conseguir dormir bem. "Os portugueses não respeitam o sono. Em Portugal, vivemos uma era em que o sono é considerado inútil, em que dormir é considerado tempo não aproveitado, em que se tenta contrariar o organismo", diz Joaquim Moita, presidente da Associação Portuguesa do Sono.

17-03-2018